Adobe sem Adorno

12/01/2025

Diego Medeiros tem se afastado um pouco dos desenhos. Aliás, de tanto buscar profundidade, tem experimdado a trimidensionalidade. Dos mesmos terrenos baldios ora retratados, tem de frente os muros. tijolos e alicerçamentos expostos, quase uma arqueoligia de sensações e sentimentos. A overdose de filmes de guerra talvez tenha influenciado a palticidade dos trabalhos e estudos. Tem em comum o fim e o começo de tudo: muros e telhados encobertos por placas luminosas, escondem uma estética perdida. 

A primeiro momento, pode parecer nostalgia. Com mais profundidade, os trabalhos mais parecem um inquérito estético, que denuncia as desídias de um mundo nem tão perfeito, idealizado e tomado de saudosismo de muitas pessoas. 

Casa, trabalho e espírito. Em contraposição aos temas aclamados na artesania mineira, Diego reduz a tons austeros toda a urbanidade festiva e açucarada comumente retratada. Igrejas despojadas de torres, adornos, e ícones. casas das cidades médias, pouco retratadas ou não muito queridas na pictografia local. toda a sorte de platafornas de estações ferroviárias, armazens e fabriquetas, transformadas em paisagem lunar. 



Sim, sou ateu, e fiz uma igreja. Despi todos os adornos e me interessei pelo essencial: quem construiu, quem lapidou a pedra, quem alicerçou. Minha escultura em papel é sobre essas mãos anônimas, que, mesmo sem nomes notórios, contam um pouco da nossa própria história.

Estranho o fetiche das pessoas em celebrar o trem (ferrovia)  como algo necessariamente moderno. Com exceção do metrô na capital ou roteiros turísticos, não é algo cotidiano. 

Sobre as casas, pertencimento, o lugar do conforto. Sem base, sem licerce.